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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Sobre o 50th Best

Sobre o 50th Best
por Leandro Pimenta

Esta semana tivemos a premiação do 50th best América Latina da revista inglesa Restaurant que tem como objetivo apontar os melhores restaurantes de cada continente e por fim levar ao evento mais esperado, a premiação dos melhores do mundo. Este ano a premiação da versão latina aconteceu na cidade de Lima no Peru em paralelo ao festival Mistura, principal evento de valorização e difusão da cozinha peruana criado pelo Chef mais badalado do pais Gastón Acúrio.
Durante duas semanas a cidade recebeu chefs, jornalistas, críticos que se misturaram entre júri e curiosos do mundo todo. Todos afim de saber quais seriam os restaurantes e profissionais tops do momento. Basicamente 6 países dividem as colocações. Brasil, Peru, Chile, Argentina, Uruguai e México. Repetindo o feito do ano anterior o Peru teve um de seus representante no topo da lista. O restaurante Central que fica em Lima dos chefs Virgílio Martinez e Pia León ficou com a primeira colocação, desbancando seu compatriota Astrid y Gastón que ficou com o segundo lugar. Os brasileiros D.O.M do chef Alex Atala e o Maní da chef Helena Rizzo ficaram respectivamente com o terceiro e quarto lugares sendo assim os mais bem colocados a representar a cozinha de vanguarda brasileira. Nenhuma novidade! Outros brasileiros também estão na lista entre eles alguns já consagrados como o carioca Sudbrack da chef Roberta Sudbrack e os mais novos que estão chegando para firmar o seu lugar ao sol como é o caso do Remanso do Bosque do talentoso chef Tiago Castanho que fica em Belém no Pará. Ao todo 8 brasileiros estão na lista, oque nos leva a pensar que estamos no caminho exato na difusão da cozinha brasileira pelo mundo certo? A única coisa que me deixa encafifado com isso tudo é que se pararmos para analisar os colocados, todos eles são restaurantes do eixo RJ e SP, com exceção do Remanso do bosque que está no PA. Minha pergunta aqui é a seguinte: É isso mesmo? Com toda nossa extensão territorial e pluralidade de produtos 3 estados representam a nossa cozinha? Falo isso pois ontem estava lendo um artigo que falava sobre a valorização do produto e o retorno a cozinha regional do genial Carlos Alberto Dória e não poderia deixar de fazer um link com a cozinha de MG. Vivo em BH e acompanho o dia a dia e o desenvolvimento do setor de restaurantes, posso afirmar com certeza que poderia aqui colocar nesta lista pelo menos dois pares de restaurantes que representariam muito bem a nossa cozinha, não apenas pelo fato de serem destaque nas premiações mais importantes do pais ou serem lugares badalados. Colocaria pelo comprometimento dos chefs com nossos produtos, produtores, tradições e valores. Pra mim o limiar entre o invêncionismo e a criatividade está em conhecer a fundo o objeto de trabalho e traçar um ideal. A cozinha praticada aqui nos leva a crer que existe uma nova cozinha mineira surgindo à tona, que respeita e conhece sua história, sobe no ombro dos que vieram antes para enxergar mais longe e como diria o poeta Drumond conhece o mundo sem sair do seu quintal-apesar de sair e desbravar!-. Uma cozinha quase epicurista que coloca a frente o prazer e a felicidade em conhecer o novo. Não se limita em apenas dizer que conheceu determinado produto ou produtor, vive seu labor, lado a lado.
  Neste caso sinto sim que premiações e eventos como este acontecido em Lima devam existir; pois trazem o espirito de renovação e um toque de uma competitividade boa que aguça a busca por novas técnicas,paradigmas e evita o ostracismo. Porém acredito ser necessário uma avaliação mais criteriosa, menos polarizada.